segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Barra

Às vezes eu viajo pra lugares desconhecidos... é quase um hábito.
Às vezes eu viajo pra lugares conhecidos... e coisas nada habituais me acontecem.

Resolvi visitar um outro continente, chamado Barra da Tijuca.
Na ida aprendi pouco: só vale a pena ir lá se tiver boa companhia e no mínimo 4 horas de permanência!

A volta foi mais divertida...
Cheguei no Alvorada 3h da manhã, exausto e com fome. Parado estava o ônibus que eu precisava pegar - meu sonhado descanso. Minha carona, cumprido seu dever, se foi...

Para resolver o problema da fome, fui até o quiosque do terminal, já havia até escolhido: um salgado com refresco.
Ia pedir, quando fui surpreendido:
- Ei meu amor, o que gostaria de comer nesta noite tão linda?!
...
...
(Sério? Estou no terminal. 3h da manhã. E você me atende bem??? Onde está o mal humor de quem está trabalhando até agora??? Um pouco de arrogância por favor!)
Sorri e fiz meu pedido.
- Mas é pra já! Guardanapos?
Sorri novamente e fui esperar o ônibus. Meu ânimo havia melhorado, barriga cheia e bom atendimento, por 4 reais!

No ponto onde o ônibus estava só havia um rapaz. Ele e seu maravilhoso beck. Juro, o tempo que ele demorou pra apertar foi tanto, que fiquei com ciúme da atenção que ele estava dando praquilo. Só isso que ele fez, apertou, apertou e apertou. Foram 15 minutos de trabalhos manuais... Até que ele resolveu acender. Guardou aquele bem feito, tirou um já iniciado do bolso. Acendeu e foi embora. Embora! Não estava esperando nenhum ônibus..!

O ônibus deu a partida, aquela leve piscadela do painel, subi e ouvi:
- Esse aqui vai pra garagem, mas o próximo já está vindo. Tudo bem, meu jovem?
(Não!!! Claro que não... a fome se foi, mas tenho sono ainda!)
- Claro, irmão. Vou esperar tranquilo. Boa noite.
Ele foi feliz, pelo menos o sono dele não estava longe...

Que saber, nem o meu. Deitei no banco do terminal. Olheis pros lados, não havia quase ninguém. Nem sinal do ônibus. Fiquei atento aos ônibus que passavam e, entre longas piscadas de olho, um ou outro ônibus passou, mas não era o meu (eu acho).
Depois de uma longa piscada, de uns 10 minutos, me acordaram...
- Ei você aí que ta dormindo, vai pra onde?
Era o motorista de um ônibus, modelo novo, que eu nunca tinha visto mais bonito.
- Botafogo.
- Sobe aí sangue-bom! Passo no metrô, vem com a gente!
(mais uma vez, alguém feliz-trabalhando-3h da manhã...)
Ele me explicou algo sobre os números que haviam mudado e bla bla bla, metrô botafogo.
Era o que eu precisava. Disso e de uma cadeira boa pra dormir.

- Meio acordado, meio dormindo -
Cine estação! Lapa! Garotos Podres! Ratos de Porão... peraí, esse é meu ponto. Quem são vocês?
Tinham entrado no ônibus um grupo de uns 9 garotos(as) punks, com camisas de bandas, outros sem camisa, com sotaque Paulista
- VAMO VÊ ESSA TAL DE LAPA, MANO!
... adoro garotos podres, acho que vou pra lapa também... Metrô, cacete!!!
Voei por cima de uma que tinha um cabelo meio raspado e meio vermelho, pra cair próximo a um sem camisa, só de jaquetinha, dei sinal e saí.
Cheguei em casa, de alguma forma...

Aprendi que o trânsito da Barra é bom ... às 3h da manhã.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Poema copiado

Assim mesmo.

Adoro pau mole.
Não bebo mate,
não gosto de água de coco,
não ando de bicicleta,
não vi ET
e A-D-O-R-O pau mole.

Adoro pau mole pelo que ele expõe de vulnerável e pelo que encerra de possibilidade.
Adoro pau mole porque tocar um pressupõe a existência de uma intimidade e uma liberdadeque eu prezo e quero, sempre.

Porque ele é ícone do pós-sexo
(que é intrínseca e automaticamente ainda que talvez um pouco antecipadamente)
sempre um pré-sexo também.

Um pau mole é uma promessa de felicidade sussurrada baixinho ao pé do ouvido.

É dentro dele, toda a sua moleza sacudinte de massa de modelar
que mora o pau duro e firme com que meu homem me come.

Maria Rezende (ou Maria da Poesia)