quinta-feira, 10 de maio de 2012

Namoro é assim

É tão bom
quando na lista de e-mails és uma sugestão
quando já existe a roupa extra esperando uma visita surpresa
quando a escova portátil é fixa na prateleira
quando um pijama estampado faz parte do armário

Quantas páginas viradas no caderno de anotações
Textos lacrimosos que nunca serão escritos
"A quanto tempo que não escreve" ela diz
"Estive ocupado" ele responde
Não foram apagados, escondidos ou esquecidos
Mas superados com conversa e paciência

Namoro é assim...
um parágrafo para o presente
no outro fica o  passado
e o final para o futuro

...
...
...
...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Algo pra lembrar *

Ainda não me acostumei aos 30, mas há tempos vejo que minha memória não é a mesma. O HD está ficando cheio e as uns blocos são apagados a revelia. Não há escolha, não há modo seguro, nem proteção contra gravação. As memórias simplesmente se vão.

Hoje já não lembro mais da primeira vez que entrei no mar com a minha Morey Boogie Mach 10, nem da primeira pedalada na minha Caloi Cross Freedom. Lembro de todos shows que assisti, mas não com detalhes (e tenho que puxar bem da memória). Nem sei qual foi o melhor. Mas tenho guardado muitos momentos que me emocionaram.

Recentemente, a cabeça foi ocupada por problemas que não podia resolver e decisões que não deveria tomar. Ainda assim, na ultima semana lembrei de uma coisa, que me fez gastar mais do que eu devia e me proporcionou um desses momentos emocionantes, que espero não esquecer. Lembrei da primeira vez que escutei The Smiths!

Numa das muitas férias passadas na Região dos Lagos, quando os anos noventa se iniciavam, ao lado da minha irmã e meu primo, pouco mais velho. De uma fita cassete, escutei a introdução de This Charming Man.

A fita era do meu primo, tinha feito uma coletânea do The Smiths, que também tinha “How Soon Is Now”, “There is a light that never goes out”, “Ask”... Ele ainda veio a me apresentar Spy vs Spy, Metallica, e tantas outras. Mas The Smiths me marcou muito, e me acompanhou por esses trinta anos.

E essa lembrança me fez gastar o dinheiro que consertaria meu Xbox, numa só noite. Adiei meu prazer solitário por ela, pois sabia que a teria. E quando a sua vida segue um caminho atribulado, esses eventos ganham um valor maior.

Os últimos anos me proporcionaram bons momentos de encontros. Pude ver músicos que eu admirava há tempos, e não tinha esperança de assistir ao vivo. E esse prazer é algo inigualável! Ver a belíssima Cat Power e Misfits no Circo, Patty Smith e Yeah Yeah Yeahs na Marina, Bad Religion na Fundição, e agora Morrissey. Voz que há tantos anos, meu ouvido se habituou a ouvir. E, uma das mais antigas na minha mente.

E deu-se o show. Um bom show, que nos primeiros versos, me lembrou que sou o mais velho da turma, possivelmente, o primeiro a morrer. Que me fez falta ouvir que ele não temia ninguém, pois tinha sangue irlandês e do coração inglês. E percorreu grandes momentos em “You have kill me” e “Everyday is like Sunday”.

Do meio pro fim, me deu o que prometera: uma puta lembrança!

Tá certo que o show era do Morrissey, mas foram as musicas do The Smiths que realmente me emocionaram. Ouvir os humanos cantando que merecem ser amados, como todos os outros foi incrível. E o coro de milhares, saudando a luz que nunca se vai, pagou cada centavo, valeu cada minuto!

Espero que o tempo não apague a imagem, o som e sensação de vivenciar a voz da fitinha cassete, cantando as mesmas musicas que ouvi, há vinte anos atrás.

Thiago Moura
https://www.facebook.com/thiagosmoura

* Texto convidado, lido e apreciado.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Cadê os textos? III

As equações de Fokker-Planck não-lineares são grandes candidatas à descrição dos processos difusivos anômalos. Introduzidas, inicialmente, no estudo da difusão em meios porosos, estas equações foram generalizadas para diversas aplicações, geralmente de maneiras fenomenológicas. Trabalhos recentes propuseram uma extensão da derivação das equações de Fokker-Planck, partindo da equação mestra, para o caso não-linear. Outro resultado importante foi a prova do Teorema H neste contexto, permitindo que essas equações sejam associadas diretamente com formas entrópicas generalizadas, ou seja, que descrevem sistemas não-boltzmannianos.

Isto é o que tenho escrito...

Cadê os textos? II

O fato é que, por mais elegante tenha sido a explicação teórica, os tais morfógenos não foram encontrados, deixando em aberto a questão da validade desse mecanismo para explicar os padrões de diferenciação na morfogênese. Ainda assim, o mecanismo de Turing, por vezes chamado de instabilidade forçada por difusão, chamou atenção de muitos pesquisadores e acabou se tornando um mecanismo muito importante no estudo de formação de padrões em sistemas fora do equilíbrio. Uma coisa notável nesse mecanismo é que a difusão dos reagentes, que geralmente exerce o papel de força homogeneizadora do sistema, é o elemento chave para a formação dos padrões heterogêneos finais.

3 meses tb... =P

Cadê os textos?

Devido à crescente demanda de implantes dentários e ortopédicos, novas tecnologias vem sendo desenvolvidas para aumentar a estabilidade química e a aceitação no corpo. Algumas técnicas de deposição de filmes filmes tem sido aplicadas para recobrir metais com cerâmicas bioativas, em sua maioria fosfatos de cálcio (CaP) - constituintes naturais dos ossos humanos, de modo a aumentas a bioatividade dos implantes. A técnica mais utilizada comercialmente para recobrir com biocerâmicas é a Plasma Spray (PS). Porém, a algumas desvantagens levaram ao estudo de outras técnicas com pulverização catódica (RF-MS) e ablação a laser (PLD). PLD mostrou ser uma importante candidata para produção destes recobrimentos devido a bons resultados de adesão ao substrato, estequiometria, cristalinidade e rugosidade.

Não entendeu? 3 meses só nisso.
Abraços.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Barra

Às vezes eu viajo pra lugares desconhecidos... é quase um hábito.
Às vezes eu viajo pra lugares conhecidos... e coisas nada habituais me acontecem.

Resolvi visitar um outro continente, chamado Barra da Tijuca.
Na ida aprendi pouco: só vale a pena ir lá se tiver boa companhia e no mínimo 4 horas de permanência!

A volta foi mais divertida...
Cheguei no Alvorada 3h da manhã, exausto e com fome. Parado estava o ônibus que eu precisava pegar - meu sonhado descanso. Minha carona, cumprido seu dever, se foi...

Para resolver o problema da fome, fui até o quiosque do terminal, já havia até escolhido: um salgado com refresco.
Ia pedir, quando fui surpreendido:
- Ei meu amor, o que gostaria de comer nesta noite tão linda?!
...
...
(Sério? Estou no terminal. 3h da manhã. E você me atende bem??? Onde está o mal humor de quem está trabalhando até agora??? Um pouco de arrogância por favor!)
Sorri e fiz meu pedido.
- Mas é pra já! Guardanapos?
Sorri novamente e fui esperar o ônibus. Meu ânimo havia melhorado, barriga cheia e bom atendimento, por 4 reais!

No ponto onde o ônibus estava só havia um rapaz. Ele e seu maravilhoso beck. Juro, o tempo que ele demorou pra apertar foi tanto, que fiquei com ciúme da atenção que ele estava dando praquilo. Só isso que ele fez, apertou, apertou e apertou. Foram 15 minutos de trabalhos manuais... Até que ele resolveu acender. Guardou aquele bem feito, tirou um já iniciado do bolso. Acendeu e foi embora. Embora! Não estava esperando nenhum ônibus..!

O ônibus deu a partida, aquela leve piscadela do painel, subi e ouvi:
- Esse aqui vai pra garagem, mas o próximo já está vindo. Tudo bem, meu jovem?
(Não!!! Claro que não... a fome se foi, mas tenho sono ainda!)
- Claro, irmão. Vou esperar tranquilo. Boa noite.
Ele foi feliz, pelo menos o sono dele não estava longe...

Que saber, nem o meu. Deitei no banco do terminal. Olheis pros lados, não havia quase ninguém. Nem sinal do ônibus. Fiquei atento aos ônibus que passavam e, entre longas piscadas de olho, um ou outro ônibus passou, mas não era o meu (eu acho).
Depois de uma longa piscada, de uns 10 minutos, me acordaram...
- Ei você aí que ta dormindo, vai pra onde?
Era o motorista de um ônibus, modelo novo, que eu nunca tinha visto mais bonito.
- Botafogo.
- Sobe aí sangue-bom! Passo no metrô, vem com a gente!
(mais uma vez, alguém feliz-trabalhando-3h da manhã...)
Ele me explicou algo sobre os números que haviam mudado e bla bla bla, metrô botafogo.
Era o que eu precisava. Disso e de uma cadeira boa pra dormir.

- Meio acordado, meio dormindo -
Cine estação! Lapa! Garotos Podres! Ratos de Porão... peraí, esse é meu ponto. Quem são vocês?
Tinham entrado no ônibus um grupo de uns 9 garotos(as) punks, com camisas de bandas, outros sem camisa, com sotaque Paulista
- VAMO VÊ ESSA TAL DE LAPA, MANO!
... adoro garotos podres, acho que vou pra lapa também... Metrô, cacete!!!
Voei por cima de uma que tinha um cabelo meio raspado e meio vermelho, pra cair próximo a um sem camisa, só de jaquetinha, dei sinal e saí.
Cheguei em casa, de alguma forma...

Aprendi que o trânsito da Barra é bom ... às 3h da manhã.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Poema copiado

Assim mesmo.

Adoro pau mole.
Não bebo mate,
não gosto de água de coco,
não ando de bicicleta,
não vi ET
e A-D-O-R-O pau mole.

Adoro pau mole pelo que ele expõe de vulnerável e pelo que encerra de possibilidade.
Adoro pau mole porque tocar um pressupõe a existência de uma intimidade e uma liberdadeque eu prezo e quero, sempre.

Porque ele é ícone do pós-sexo
(que é intrínseca e automaticamente ainda que talvez um pouco antecipadamente)
sempre um pré-sexo também.

Um pau mole é uma promessa de felicidade sussurrada baixinho ao pé do ouvido.

É dentro dele, toda a sua moleza sacudinte de massa de modelar
que mora o pau duro e firme com que meu homem me come.

Maria Rezende (ou Maria da Poesia)